Se tens passado algum tempo nas redes sociais, provavelmente já viste alguém ganhar ou perder “pontos de aura”.
Ou talvez já tenhas visto uma das competições em que duas pessoas entram frente a frente para decidir quem consegue… farmar mais aura.
Sim, chegámos aqui.
Mas como é que uma expressão que começou na internet acabou em competições presenciais? E, mais importante, o que é que isto pode ter a ver com marcas?
Afinal, o que significa “farmar aura”?
A expressão junta dois conceitos.
“Farmar” vem da linguagem dos videojogos e refere-se à repetição de ações para acumular recursos, experiência ou pontos. “Aura”, neste contexto, representa presença, carisma, confiança ou simplesmente aquela capacidade de parecer cool sem esforço.
Ou seja, alguém “farma aura” quando faz alguma coisa que lhe dá, imaginariamente, mais pontos de carisma.
É absurdo. E é precisamente por isso que funciona tão bem na internet.
Como é que isto começou?
A expressão já circulava online, mas ganhou uma dimensão completamente diferente com um vídeo vindo da Indonésia.
Uma das primeiras utilizações documentadas de “aura farming” surgiu no TikTok em janeiro de 2024. Ao longo desse ano, o termo começou a ganhar força, sobretudo associado a personagens de anime, celebridades e pessoas que pareciam estar deliberadamente a criar momentos “cool”.
Em 2025, a expressão chegou a um público muito maior graças a Rayyan Arkan Dikha, um rapaz indonésio que se tornou viral ao dançar de forma descontraída na proa de um barco durante a tradicional corrida Pacu Jalur.
A postura e confiança do chamado “boat kid” encaixavam tão bem no conceito que os vídeos ajudaram a levar o “aura farming” para um público muito mais vasto.
As marcas também constroem “aura”
No marketing chamamos-lhe outras coisas: perceção, posicionamento, reputação, reconhecimento.
Mas a lógica não é assim tão diferente.
Há marcas que conseguem transmitir confiança, desejo, estatuto ou personalidade antes sequer de nos tentarem vender alguma coisa.
Essa “aura” não se constrói de um dia para o outro nem com uma publicação.
É construída através daquilo que a marca faz repetidamente, da forma como aparece, da linguagem que utiliza, da identidade que mantém e da experiência que cria.
No fundo, a internet inventou pontos imaginários para medir a aura das pessoas. Mas as marcas já os disputavam há muito tempo.
E há outra lição nesta trend
Aura não se explica. Percebe-se.
Uma marca pode dizer que é premium, inovadora, próxima ou diferente.
Mas é aquilo que faz e comunica repetidamente que leva as pessoas a acreditar nisso.
E, tal como acontece nas competições de aura, tentar demasiado também se nota.
No marketing, não basta dizer quem queremos ser. É preciso fazer com que as pessoas percebam isso sem termos de o dizer.