As marcas estão demasiado perfeitas para as redes sociais?

Durante anos, as marcas tentaram ter feeds perfeitos.

Fotografias impecáveis. Vídeos muito produzidos. Grelhas pensadas ao detalhe.

Agora, começa a acontecer quase o contrário.

Cada vez mais, o conteúdo que chama atenção parece menos “campanha” e mais vida real.

Bastidores. Pessoas. Processos. Momentos espontâneos.

Mas isso levanta uma pergunta:

Será que as marcas ficaram demasiado perfeitas para serem interessantes?

O Instagram está a mudar outra vez

Recentemente, Eva Chen, Vice- Presidente de Fashion Partnerships da Meta, falou sobre uma mudança clara na forma como as marcas estão a usar o Instagram.

Optam menos por conteúdos demasiado polidos. E valorizam mais a autenticidade, comunidade, bastidores e interação em tempo real.

Isso não significa que a qualidade deixou de importar.

Significa que, muitas vezes, o excesso de produção pode criar distância.

As pessoas querem ver marcas. Mas também querem ver pessoas.

Uma marca pode ter uma identidade visual incrível e, mesmo assim, parecer completamente impessoal.

Quando tudo é demasiado perfeito, demasiado pensado e demasiado controlado, começa a faltar aquilo que torna as redes sociais… sociais.

A equipa. O processo. Os erros. Os bastidores. As pessoas que existem por trás do serviço ou do produto.

É por isso que vemos cada vez mais marcas a mostrar o que acontece antes do resultado final, em vez de aparecerem apenas quando tudo está pronto.

Até grandes empresas estão a apostar mais em colaboradores e pessoas reais como protagonistas do conteúdo.

Autenticidade não significa publicar qualquer coisa

Aqui é fácil cair no extremo contrário.

Conteúdo mais espontâneo não significa abandonar estratégia, identidade ou qualidade.

Um vídeo gravado no telemóvel pode parecer simples e, ainda assim, ter sido pensado para transmitir exatamente aquilo que a marca quer.

A diferença está em não tentar transformar cada publicação numa campanha publicitária.

Nem tudo precisa de parecer perfeito para parecer profissional.

Talvez o problema não seja o teu conteúdo estar mal feito

Talvez esteja demasiado feito.

Se cada fotografia parece um anúncio, cada vídeo parece uma produção e cada frase parece ter passado por dez reuniões, pode estar a faltar espaço para as pessoas reconhecerem algo verdadeiro.

As redes sociais continuam a ser um lugar onde queremos descobrir, acompanhar e criar ligação.

E isso é difícil quando uma marca parece estar permanentemente em modo campanha.

Então, devemos deixar de criar conteúdo bonito?

Não.

A questão nunca foi escolher entre qualidade e autenticidade.

É perceber quando a produção ajuda a mensagem e quando começa a escondê-la.

Uma marca pode ser cuidada, consistente e profissional sem parecer distante.

No fim, as marcas mais interessantes não são as que parecem perfeitas. São as que parecem humanas.

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